A nossa sugestão de hoje é um molho sem gorduras refinadas. Ou seja, saudável e igualmente delicioso. O tahini é concebido com sementes de sésamo e a sua origem, segundo rezam as crónicas, remonta ao século XIII. As qualidades doce, oleosa e pesada fazem deste ingrediente a escolha perfeita para as pessoas de constituição vata, combatendo a propensão destes indivíduos para a secura em excesso, que acelera o envelhecimento. Além disso, por ser um ingrediente grosso e denso, traz estabilidade às mentes mais agitadas, também características de vata, providenciando enraizamento. Por este motivo, o tahini é a escolha perfeita para pessoas tipicamente ansiosas. Em termos de propriedades nutritivas, é rico em proteínas, contém ainda valores consideráveis de cálcio, ferro, vitamina B, fósforo e potássio. Na nossa sugestão, a lima (ácido), o agave (doce) e o sal (salgado) constituem os três sabores que pacificam a constituição vata. A existência dos restantes três sabores nesta receita - picante (pimenta preta), amargo (levedura de cerveja) e adstringente (coentros) -, demonstra o quão importante é termos os seis sabores (rasa) presentes numa mesma refeição. O equilíbrio gera-se a partir daí. Falaremos mais noutras ocasiões dos seis sabores e de como os elementos predominantes destes influem em cada dosha, também eles regidos por elementos característicos.
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Queijo Vegetal de Caju e Batata Doce
em
7 de abril de 2020
Este queijo vegetal é simplesmente fantástico. Ideal para quem não processa muito bem produtos lácteos e, ainda assim, adora comer algo com o pão. O sabor (rasa) doce cruzado da cenoura cozinhada, do caju e da batata doce é benéfico para as constituições pitta e vata. Estes doshas têm qualidades (gunas) tipicamente leves e móveis e, por isso, beneficiam do aspecto pesado e de enraizamento do sabor doce. No Ayurveda, além de ser importante considerar a constituição de cada indivíduo, é fulcral saber os efeitos que cada um dos seis sabores (doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente) provocam em cada biótipo. Neste exemplo, se é verdade que o sabor doce equilibra pitta e vata, também é verdade que agrava o outro dosha, kapha. Porquê? Porque este dosha já tem as características presentes no sabor doce - pesado, lento, letárgico, frio/fresco. Então, ao ingerir alimentos doces, irá agravar a sua configuração momentânea (vikruti), dissonante do seu prakruti (constituição natural). Na ciência ayurvédica, só há saúde plena quando o prakruti coincide com o vikruti. A própria doença é caracterizada pelo desequilíbrio nos doshas. Assim, a nossa rotina, os hábitos, a alimentação e a profissão podem-nos fazer distanciar do equilíbrio desejado. Temos de estar atentos àquilo que ingerimos a nível físico, energético, mental, subconsciente e da própria consciência (o plano mais subtil de todos). Isto tudo não significa que devamos deixar de comer determinadas coisas. Tudo tem de estar em equilíbrio. Urge escutarmos os sinais do nosso corpo. Urge barrar este queijo, por exemplo, com o nosso pão de forma de sementes.
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